06 março, 2011

Bonecas também choram

Ouça enquanto lê.




Bonecas também choram.
  
Estava passando pelo corredor da biblioteca. Várias fotos de bebês nas paredes. Uma exposição de uma fotógrafa dizendo que fotografar bebês era como registrar a vida no mais puro sentido. Imaginei essa vida acordando de madrugada chorando com uma fralda suja. Lembrei que a filha da minha prima nasceu no último fim de semana. Caramba, parece que ontem mesmo a gente estava brincando de boneca. Mas  alguém acabou brincando de boneco e carregando uma bonequinha de brinde. Uma que chora e suja as fraldas. Aposto que colocaram essas fotos aqui só pra evitar amassos entre as estantes...

 _ Próximo _falou a moça do balcão.

  Preenchi meus dados para o cadastro na biblioteca e saí correndo para me encontrar com o Dani no café para pegar carona. Ele estava lá sentado divonicamente concentrado lendo o texto da aula passada sublinhando algumas frases enquanto tomava um cappuccino. O notebook aberto, um livro do Karl Deuscth também. Óculos de grau, camiseta com estampa da Amelie Poulain ( Odeio essa obsessão cinematográfica explícita, essa atriz me irrita depois que vi o filme da Coco Chanel.), calça jeans, tênis, bem casual.

_ Onde é que você estava? Te procurei igual louco. Você já ouviu falar em telefone?
_ Ah, é que fui na biblioteca. Você sabe o quanto me distraio com livros_ respondi _ ai tá ouvindo ?
_ Green Day...
 _ Esses caras me irritam. Sério, vamos embora.

  Percebi que não era a música, nem a blusa dele que me irritavam. O Dani tem cheiro de brinquedo novo. De boneca nova. Não que ele pareça uma boneca. Odeio caras com rosto de boneco. Rosto de Ken, cabelo louro, monotonia total, ai lá vou eu pensando de novo em boneca. Aquelas fotos na biblioteca realmente não me fizeram bem. Algumas coisas são processadas de forma errada no meu cérebro. Confesso que o cheiro dele me dá vontade de brincar. Dani, Daniel eu acho que te odeio. Sim, te desprezo do fundo da lente dos seus óculos de grau pretos Wayfarer. Dani, Daniel, não se torne o meu fel, não me faça mandar tudo ir para o hell...





Licença Creative Commons
Bonecas também choram de Brenda Ághata é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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19 janeiro, 2011

Beleza *_*

by: Malvados


"Não é uma coisa boa encher a sociedade de pessoas bonitas?"_ Yang Yuan, em declaração ao New York Times
"Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho em suas proporções."_ Francis Bacon, Ensaios sobre moral e política, "Da beleza"
"A beleza do mundo... tem dois gumes, um de riso, outro de angústia, que cortam o coração em pedaços."_ Virginia Woolf, Um teto todo seu

Salão de Beleza 

Zeca Baleiro

Composição: Zeca Baleiro
Se ela se penteia
Eu não sei!
Se ela usa maquilagem
Eu não sei!
Se aquela mulher vaidosa
Eu não sei!...

Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras "cositas más"...(2x)
Oh! Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão...

Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...

Aí! Morena Bela
Quem foi que te fez tão formosa?
És mais linda que a rosa
Debruçada na janela...

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17 janeiro, 2011

Paciência.

“All we need is just a little patience...”
_”Patience”- Guns And Roses.
O carrinho sobe os trilhos. Antes do looping da montanha russa, os batimentos cardíacos aceleram, sentimos frio na barriga. Tum, tum, TUM, TUM , TUM, TUM...
Depois da chuva as nuvens vão embora. Ás vezes teimamos, não pisamos no freio e as coisas acabam saindo do controle. Vão rápido demais e nos vemos obrigados a dar uma freada brusca. Caos, desordem, bagunça. Sim, de vez em quando bagunçamos para organizar. Afinal se não existe bagunça, não há ordem. Se não há mal, então não existe bem, e por aí vai.
Até quando viver nesse ciclo vicioso? Desejo, realização, frustração, tédio. Fast food, copos descartáveis, micro-ondas, macarrão instantâneo, sociedade do prêt-à-porter. É para agora, quero já! Escravos da morte, escravos do tempo_ curta logo antes que você morra, aproveite antes que envelheça. E essa pressa toda pode nos levar a abrir o presente antes da hora certa, sem mesmo esperar que ele seja entregue. Mas aí já ultrapassamos a linha, foi irreversível. A ansiedade trouxe decepção e vergonha.
Inertes, nos transformamos em geladeiras ambulantes, sempre ligados, por dentro do que acontece, porém, frios e indiferentes. Essa cegueira, maré de egoísmo, está ao redor e contagia o ambiente_ onde o amor é substituído pelo fascínio. Fascinação_ uma emoção passageira e desvanecente, baseada no irreal, egocêntrica. Assim vemos mais e mais pessoas imaturas, indecisas, inflexíveis, intolerantes, sem consideração pelos sentimentos dos outros.
A impaciência resulta finalmente em tolice. Aquele que manteve a calma, longe de demostrar fraqueza, usou de discernimento. A paciência resultou em coragem, força. Perder o autodomínio deixa a pessoa indefesa, como uma cidade sem fronteiras protegidas, facilmente é dominada por agentes externos.
É essencial buscar o equilíbrio, a paz íntima. É realmente irônico perceber que o genuíno amor-próprio se desenvolve quando paramos de concentrar o foco de nossa atenção em nós mesmos e então passamos a nos preocupar com outros, ao doarmos os nossos chamados “dons”. Depois de muito tempo esperando a “pessoa certa”, se descobre que ela esteve aqui por perto o tempo todo. Porque não se encontra a 'pessoa certa”, se é a “pessoa certa”. Tudo o que sonhamos está somente em um lugar_ dentro de nós mesmos. Somos o nosso sonho, afinal fomos nós que projetamos isso. Cada um de nós é a sua própria “pessoa certa”.
Não faz sentido esperar a perfeição dos outros. O melhor a fazer é tentar nos aprimorar, cultivar virtudes. Assim vamos adquirir mais segurança para lidar com o que virá em frente, além de estar mais perto de ter real contentamento. A simplicidade é confortável, natural, bela. Ter uma bússola e um mapa não é suficiente. É preciso escolher um destino primeiro, saber aonde se quer chegar. Com bom juízo e objetivos claros em mente será mais fácil saber quais caminhos nos levarão aos resultados desejados. E claro, precisaremos de muita paciência.

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Paciência de Brenda Ághata é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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